O “Outsider” mais “Inside” (Português)

No âmbito deste intercâmbio de métodos de ensino entre diversos países tenho tido a felicidade de, acompanhando a minha mulher, subdirectora da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, ter ido a diversos países. Todos eles, lindos, maravilhosos e até misteriosos nas suas características muito próprias, tanto na língua como nos hábitos, passando pela comida e pela música.
Mas maravilhosas, essas sim verdadeiramente maravilhosas, um mimo para a alma, são os homens e mulheres (professores, alunos e acompanhantes) que tenho encontrado e com os quais tenho interagido e feito belas e sãs amizades.
Não querendo destacar ninguém, há de facto alguns que ficaram e continuam bem fixos no meu pensamento.
Mas todos eles me fizeram ter a certeza que, ao contrário do que muitos dizem, o ser humano é, sem dúvida, essencialmente bom, puro e carinhoso.
De todas as vezes que me tive de despedir deles foi com lágrimas nos olhos.
Eu, que tenho PAVOR de andar de avião, já estou a ficar “vacinado”. Acho eu!!!???
Aeroportos de partida, chegada e de ligação já vi muitos, mas o de Frankfurt com suas passadeiras rolantes é fenomenal.
Histórias e peripécias têm acontecido de todo o género, mas só as boas e cómicas me ficaram na memória.
Sem qualquer ordem cronológica relembro, entre muitas:
- O Professor Grego que, tendo-se perdido do grupo, em plena mata Polaca, chegou à bela conclusão, após largo tempo de buscas que todos efectuaram, que todos os outros 30 é que se tinham perdido dele!
- Os mais de 40º que ainda se faziam sentir, mesmo ás 19 horas da tarde, em Veneza. Nem quero imaginar qual foi a temperatura que suportámos ao meio-dia!
- Em Grenoble, França, ao fazer um passeio sozinho dei comigo no meio de uma manifestação contra os cortes salariais e aumento para a idade da reforma. E o Sr. Coelho (Monsieur Lapin) velho imigrante que nos adoptou e nos andou a mostrar a cidade?
- A peça de Teatro, DE CARIZ DRAMÁTICO, com que fomos presenteados na Escola de Vilnius, em que o tema girava à volta de Reis, Rainhas, Reinados e suas Cortes, palavras essas que em Lituano também derivam todas da palavra REI.
Se querem saber porque fiquei com a língua ferida de tanto a morder para não me rir, vão à NET ver como se escreve e se diz REI em Lituano. É demais! (para a língua Portuguesa)
- Na Alemanha e os seus horários rígidos que nos obrigaram literalmente a correr do Hotel para a Escola a pressão foi tanta que a Prof. Dulce não reparou no que fez e foi a um jantar com um sapato de cada cor e modelo.
- A ocasião em que em Treviso (Itália), Itália ensinei os nossos anfitriões uma canção, EM ITALIANO, que nenhum deles conhecia. Ficaram pasmados.
- O caótico, louco mesmo, trânsito de Nápoles. Quais sentidos obrigatórios? Quais sinais vermelhos? Quais rotundas pela direita? Isso são meros pormenores decorativos do Código da Estrada Italiano!!!
- Aquele encontro, em plena Praça de São Pedro (Roma), com o Padre Eduardo que ali estava também a passear. Imaginem o espanto dos professores Italianos pelo facto de eu ter encontrado, tão longe da minha terra, um conterrâneo e ainda por cima o que tinha celebrado o meu casamento!
- O modo facílimo com que pus uma turma de alunos Polacos a cantar o “Atirei o pau ao gato” com a mais valia de terem compreendido o que estavam a dizer. Sim, para mim foi uma vitória, pois só tenho 3 anos de Inglês e mais alguns de Francês, mas isso nunca me impediu de comunicar e falar com todos os elementos dos países participantes utilizando mesmo palavras dos próprios locais onde estive e dos quais tento saber sempre o máximo possível de expressões.
- Ter descido a pé, por vários quilómetros, o Monte Olimpo, (Grécia). E os belos morangos silvestres que encontrámos no caminho?
- Finalmente na Polónia ter sido considerado o “Outsider” mais “Inside” do projecto.

João de Deus da Silva Gomes

I – We had such fun!

“At the beginning of a colleague’s participation in this project, he/she never succeeded in pronouncing or writing the word Finland correctly. He/she always said and wrote Filand!
Once one of our pupils was alone and crying in the middle of the playground of Clemens-Europaschule in Lollar. We came closer to him/her and asked him/her what was wrong. His/her answer was just because he/she missed his/her mother. We put him/her in contact with her and the situation became a little better for the moment but not hundred per cent.
With this example and many others, we can say that we helped hundreds of our pupils grow up.
On one of our travels to Stord, in Norway, one of our pupils kept all the time pronouncing and writing Noruégua instead of Noruega ! We corrected him/her but he/she didn’t succeed. Every time he/she did so we all laughed our heads off. This is the kind of joke that doesn’t sound that funny/comic in the translation which is Normare.
One day in Poland, we heard by chance one of our pupils calling his/her mother on the mobile: “Mum, I can’t bear this horrible food. Now they have just served me a disgusting red soup !” It was a tasty beetroot soup.
Another time in Poland again, we were visiting an important religious centre. It was about three p.m.; our breakfast hadn’t been a substancial one and we were starving. Suddenly we read an inscription “Jascumin”. One of us gave the immediate translation into Portuguese “Já se comia !” And all the Portuguese group laughed like a drain. Although our Polish colleagues and their husbands/wives didn’t understand any word in José Saramago’s language, they served us a lot of cakes later on, just after the visit.”